sábado, 16 de agosto de 2008

Moon

Envolta por uma aura, iluminas de forma instigante, deixando a noite misteriosa. Cheia de sugestões, movimentos atrativos pelo simples fato de serem apenas vultos.

Por que me inspiras tanto? Por que desperta-me sensações e vontades? Do outro lado não há nada. Um convite para me levar ao encontro do encanto que sugeres. Não consigo te decifrar, descobrir o véu que esconde o segredo dos sonhos, que revela a face do descomedido. Entre tantos telefones e teclas; e faróis e gentes sorridentes, por que não me observa um sequer na multidão? Não haveria uma viva alma te admirando?

Ah, Lua, por que não me tragas logo para tua dimensão? Por que não me levas para viver alheia da realidade? Mergulhar na fantasia, onde me sinto tão feliz, onde crio o plano perfeito para extravasar meus sentimentos. São tantas as emoções guardadas, que aguardam e resvalam na realidade sórdida.

Não te vás, não me deixes aqui sozinha – tenho medo. Eu já vivo no teu mundo.


Vitrola: Tatuí

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Dos Sentidos

Ele tenta, ela tenta.
Ele tenta, ela tenta.
Ele tenta, ela tenta.
É tanta tensão.

(Tictac-tictac-tumtum-tic-tum-tic-tac-tum-tum-tumtumtum)

Ele tenta ela; ela tenta ele.






Vitrola: Seu Pensamento

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Do Infortúnio

Je suis triste.














Constatando que a sorte não me sorri.
Ela nem me dá bola.



Vitrola: Os Pássaros.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Looking for thubirubing

Deitada
Olhando a lua
Vendo um filme
Na porta da rua

Estudando
Passos curtinhos
O sol brilhando
I feel ok

Listening songs
Writing somethings
I dont belong
But I want to...

Anytime, any place
I feel myself
Looking for a chance
Happening

I only feel happy
When I have a reason
On dreams
There’s no reason

Vou levando assim
Em todo canto
Suspiros




Vitrola: Tchubaruba

sábado, 12 de julho de 2008

Do Autógrafo

O que é um autógrafo? Ou melhor, qual o sentido de um autógrafo? Parece que esse símbolo se tornou o método uniformizado de como se dá a relação entre fãs e ídolos. É um procedimento automático: sós ou conglomerados, fãs se alvoroçam, lançam seus papeizinhos intempestivamente à espera do tão sonhado rabisco. Sim, porque, com tamanho estranhamento que a comunicação entre dois desconhecidos causa, acompanhado do tal aglomerado em volta do ser aclamado, a dedicatória de um autor, do ídolo, fica resumida a garranchos, geralmente com a mesma mensagem: beijo, abraço e a assinatura –, às vezes acompanhado do nome do fã, se este tiver sorte.

Fico pensando quão desprovido de sentimento que é guardar o tal rabisco. Que lindo, meu ídolo sabe escrever. Acho, na verdade, que ele serve mais para se exibir e simular uma pretensa proximidade com o ídolo; o que não é de todo ridículo, se te faz bem. Mas acho que vale muito mais a pena aproveitar ao máximo aquele momento único que se tem de ficar cara a cara com o idolatrado. Trocar palavras, fazer uma tirada, levar carinho. Olhar em seus olhos, captar um pouquinho da alma, da fonte de inspirações, das mágicas que ali se produzem e te cativam. Guardar esse momento na memória parece ser muito mais especial do que o concreto a que se reduz um autógrafo. Sentir no ar o sorriso, o aceno direcionado a ti, captar a atenção que lhe é dada pelo ilustre desconhecido. É um plano diferente, abstrato, exige sensibilidade; não destreza, físico e gritaria. Emoção, dar-se tempo para sentir os nervos à flor da pele, e não lançar mão de um movimento automático que mecaniza as ações e dilui o momento em outros tantos iguais, deixando de ser único.

Tudo bem que o autógrafo pode ser a escapatória de uma situação embaraçosa. É instigante a situação em que uma pessoa ama aquele cuja vida sobre tudo sabe, que às vezes acompanha fielmente, sem, no entanto, conhecê-lo. O ídolo não sabe quem tu és. Aí, no cara a cara, o que dizer? O fã é desconhecido, sendo ainda qualquer um na multidão; o ídolo é, ao mesmo tempo, conhecido e estranho. Que relação estabelecer? Dependendo da desenvoltura de ambos: o nervosismo do fã, o não saber como lidar com isso do ídolo, o autógrafo parece ser aconselhável, de forma a evitar frustrações e micos. Embora eu pense que tentar esquecer a inibição e lançar-se com desenvoltura renda um momento mais interessante. Desenvoltura com classe. Um pouco blasé, digamos.

O fato é que o autógrafo é uma marca muito rude e sem graça para guardar como lembrança, ou para se considerar uma relíquia. É bom também tentar abstrair um pouco essa história de endeusamento das pessoas. Além do que aquele pequeno momento não tornará fã e ídolo amigos íntimos. Fazer uma brincadeira, dar um carinho. E só. O amor é simples.



Vitrola: Condicional

domingo, 8 de junho de 2008

Da Essência do Amor/Do Momento da Entrega

Da Essência do Amor

Relevar os supostos defeitos, não se sentir mal com aquele péssimo gosto. Esquivar-se das manias cotidianas; abraçá-las e reverter para a gracinha do ser. Falta de bom senso. Ninguém entende o senso do gosto. Ninguém sente como é gostoso enlaçarem-se as almas, esquecer-se dos traumas e morrer de amor.

Do Momento da Entrega

Paira no ar o senso de humor da tirada jocosa. Mas não só isso, a vítima estremece de vergonha e sob os negros longos fios esconde o rubor que toma sua face delicada. Do outro lado, ele sente: o que era piada, desemboca em um cenário fulgente. Assim, o sorriso do garoto é acompanhado de um olhar charmoso mais o balanço da cabeça que, negando, quer dizer, em realidade, que sim: - essa é minha.



Vitrola: Mania de Você

(dedicado a todos, que amam).

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pra onde vão os chineses?

Apesar de não estar muito em voga nas discussões atualmente, a religião ainda possui grande representatividade no mundo, sendo uma grande influência nas questões de política internacional. Apresenta um empecilho a relações entre Estados e populações, pois cada religião regula, segundo suas normas, os direitos e deveres dos indivíduos; divide o mundo em blocos, dando margem ao preconceito e ao surgimento de rivalidades. Ainda, sendo cada religião fundamentada em verdades absolutas – dogmas –, elas tratam de negar quaisquer explicações diferentes das suas sobre as forças que regem o mundo. Aí aparecem as disputas, que mais tem a ver com expansão e dominação do que com afirmação ideológica. Qual seria o problema de uma coexistência pacífica? Cada povo tem sua salvação nas suas próprias crenças, que deveriam ser respeitadas. Até porque, não estando fundamentadas no método científico, não há como comprovar a superioridade de uma em relação a outra – a não ser pela força.

Imagino o mundo dividido em seus respectivos nichos religiosos, e uma fila de pessoas que morreram se encaminhando para cada local previsto por sua crença. Cristãos fraternos, solidários, honestos, leais, modestos, sãos e salvos se dirigem ao céu, dimensão que tem como cenário o jardim do Éden. Chatíssimo atualmente. O cristianismo existe há mais de dois mil anos sem ter sido, nesse longo período, reformulado ou atualizado. O conceito de felicidade mudou de lá pra cá. O ócio contemplativo, que prevê todas as coisas boas caindo do céu, virou entediante para quem se insere no regime competitivo do capitalismo. Neste o grande barato da vida é buscar a inalcançável felicidade ininterrupta e ferozmente; e conseguir chegar ao ápice da existência quando arranjamos um ofício ou uma posição honrosos para desempenhar na sociedade. Ficar bebendo o leite que jaz em uma corredeira não é, definitivamente, entusiasmante.

Mas o que importa é que eles – os que foram para o Éden – se salvaram; Livraram-se de arder no fogo do inferno. Os islâmicos fundamentam-se igualmente na questão da dicotomia céu-inferno. Com alguns deveres e direitos de conduta social diferentes dos cristãos, acordam com estes no que diz respeito às orações, às penitências, aos castigos, indispensáveis para salvar a alma quando não houver mais corpo. O céu dos islâmicos é um tanto mais chamativo para os homens. Lá chegando, eles se defrontam com belas virgens que se colocam a sua disposição para que desfrutem do paraíso. As semelhanças são grandes, mas pequenas diferenças como quem foi o profeta que trouxe a palavra de Deus, sobre a castidade dos que levam sua palavra aos leigos; poligamia, alimentos que podem ser consumidos, datas comemorativas... detalhes fazem com que se acirrem disputas sobre quem carrega a verdade. Tendo por trás interesses políticos, desenvolvem-se conflitos sem solução; nenhuma parte abrirá mão de suas próprias convicções. O resultado é o impasse que a história carrega há muito tempo.

Mas o que intriga realmente é o fato de que os chineses e outros povos orientais não tem pra onde ir quando seus corpos param de funcionar. Pra onde vão os chineses? O confucionismo é algo como um método de conduta social no qual os chineses estão inseridos desde o século VI a.C. É tomado como religião, mas é basicamente uma crença nos preceitos éticos emanados do filósofo chinês Confúcio, que evocam os fatores primordiais para que o homem tenha uma boa passagem em sua vida terrena. Enaltece a justiça e a obediência, onde os princípios humanos, cortesia, piedade filial, lealdade e integridade de caráter devem prevalecer. Por meios desses preceitos o homem é capaz de alcançar a paz e de ter uma boa convivência com o próximo. O confucionismo visa apenas a melhorar a vida do homem, sem a pretensão de se esmerar na explicação da origem e do fim do mundo. Colocando o homem no centro e sua capacidade própria de tomar o rumo que lhe trará felicidade, parece se encaixar com a vida do homem contemporâneo, para quem o importante é atingir o equilíbrio, o bem-estar e o sucesso durante a vida e não temer as represálias do que vem depois dela.

Na imagem da fila de pessoas em seus respectivos nichos religiosos, os chineses – logo eles, tão numerosos – não têm cenário pomposo para absorver suas almas. Eles não rezam nem sofrem por sua salvação. De outra feita, não brigam com ninguém pela supremacia das forças que regem o mundo. No que diz respeito ao desenvolvimento de um manual de conduta que ajuda os homens a trilharem seus caminhos em busca de uma boa existência e que sirva de apoio nos momentos de dificuldade, palavras de sabedorias ou fé desempenham um papel fundamental. Ter certeza dos seus passos, desenvolver boas relações, ter uma existência com mais sorrisos do que com tristeza, o ser humano se apega às crenças ou à psicologia para buscar apoio quando se sente perdido, sozinho e sem solução para seus problemas. Quando o que importa é se sentir bem, não há hierarquia entre religiões. Qualquer crença que leve paz ao homem desempenha sua função, sem precisar justificar-se por céus, infernos ou profetas. Muito mais do que prover a salvação no desconhecido, a fé nos ajuda a viver o presente e desfrutar do paraíso que a Terra fornece a quem aprende a viver bem.




Vitrola: Horizonte Distante