sábado, 16 de fevereiro de 2008

Do Museu das Novidades

Durante um grande período de minha vida tive a convicção de que havia nascido na época errada. Muito amigos e colegas confessam ter a mesma sensação. Isso se deve sobretudo pelo fato de que a juventude do início do século XXI se identifica muito mais com as músicas de outras épocas. Mas tenho cá pensado de outra forma desde que ouvi Rita Lee dizendo que não é saudosista à época em que viveu sua juventude, que, na verdade, tudo era mais difícil, reprimido, inacessível... e, sem dúvidas, vive melhor agora.

De lá pra cá, pus-me então a contrastar a vida brasileira de antigamente com a atual – leia-se pré x pós-Diretas, pré x pós-computador, pré x pós-1990... Dá uma sensação de tédio em pensar como os trabalhos de colégio eram realizados em outros tempos. Enciclopédia é um livro que transparece tanto conhecimento, mas seus conceitos são, na minha impressão, superficiais, incompletos. Além de que fica ultrapassada em pouco tempo, por não ser atualizada freqüentemente. Imagens para colocar no trabalho era outra coisa difícil; escrever à mão, então? O acesso ao conhecimento que temos é muito maior do que o que tinham os estudantes de outrora. O mesmo acontece com a informação. Quando tempo demoravam para notícias, novidades, produtos internacionais chegarem ao País? É estranho, mas há pouco tempo a sociedade brasileira convivia com a censura à imprensa e às expressões culturais. O povo tinha que engolir as reivindicações e se recolher forçosamente a sua insignificância. Esses fatos são inimagináveis e normalmente esquecidos pelos saudosistas da época não vivida.

As produções musicais podem realmente ser maravilhosas, mas acredito que, como nos dias atuais, devia ter aquelas bandas e cantores menos inspirados. Talvez hoje eles possam ser mais numerosos, ou só de uns tempos pra cá a mídia tenha descoberto que eles são a preferência nacional... São algumas as suposições, mas o que importa é perceber que, na época mesmo, era muito difícil apreciar a boa música, nem tocando na praticidade do formato LP, mas pensando diretamente na facilidade de acesso à música pela internet, inexistente naquele tempo. Não sei até que raio cronológico chega o formato mp3, mas suponho que, para ele, não há limites. Em uma tarde do ano de 2008 podemos ouvir um número infinito de músicas de tudo que é época. Não é difícil virar uma enciclopédia musical ambulante; esta sempre atualizada.

Acho que, na verdade, tenho paixão pelo o que é antigo. É fantástico viajar ao longo das décadas, não apenas ouvindo, mas assistindo aos filmes, lendo as obras literárias... Está tão na moda o lançamento de DVD’s dos clássicos, é cult comprar LP’s, até o visual retrô pegou. Com o fácil resgate da história recente, graças à tecnologia, o passado virou uma verdadeira fonte de inspiração. Além da ingestão do que vem do exterior, o passado também virou uma grande fonte de novidades para os jovens. A vontade de participar do que aconteceu aperta o coração, mas é melhor estar no futuro do que no passado. Era para cá que aqueles que admiramos hoje olhavam antigamente.



Vitrola: O tempo não pára

3 comentários:

cláu disse...

bruna, que bacana esse texto!!
e pensar que quando nós nascemos nem havia internet... dear god!
bjooo

cláu disse...

estava agora relendo os textos todos aqui publicados.
tô adorando o teu blog! excelentes idéias muito bem desenvolvidas!
certamente és o meu grande exemplo e fonte de inspiração para a redação que eu tenho que escrever no início de 2009! heheh ;-)
bjão!!!

Gabi Paixao disse...

eu queria ter visto hair no cinema =/

mas pelo menos agr
eu posso ver no dvd! =)))

adorooo os seus textoss
continue assim! =)

BjO;*