domingo, 10 de fevereiro de 2008

Do Zé Mané

Não faz muito tempo, em um dos programas do Faustão – sim, eu estava vendo o Faustão – a Cláudia Leitte expôs sua opinião sobre aquelas pessoas que ouvem um tipo de música e repudiam outros: “dizer que gosta de rock, mas não ouve pagode é coisa Zé Mané!”. Confesso que, nos quinze segundos seguintes à declaração, meu corpo passou por um estremecimento de raiva e indignação. Recuperada a razão, resolvi brincar de advogado do diabo – no caso diaba – e considerar a afirmação da dileta loira.

E se eu for realmente uma Zé Mané? Cada ser humano pensa que a sua verdade é a verdade absoluta. Talvez isso ocorra por termos mais conhecimento e, por isso, confiança em nossa própria inteligência do que nas dos outros – tão distantes –, já dizia Hobbes. Essa característica aflora nas conversas sobre religião, política, times de futebol e, claro, gostos artísticos. Ninguém abre mão de defender com unhas e dentes suas preferências. Também, como iriam fazer isso? Música, por exemplo, é arte, toca o coração, faz-nos sentir bem, tanto nos momentos alegres, como nos tristes. Apreciar uma canção é um momento de terapia, de reflexão sobre os mais variados aspectos da vida. Amamos por minutos um eu lírico em desespero, um encontro apaixonado, o dia chuvoso, o sorriso de uma criança, o lamento de um sertanejo, a morte de um operário... Ainda, a música pode nos dar uma injeção de entusiasmo que ajuda a seguir em frente, lembra-nos da parte boa da vida.

Seja pagode, axé, rock, surf, dance, techno, mpb, bossa nova... entre tantos tipos que aparecem nos corredores das lojas, a música, no mínimo, nos traz um momento prazeroso na rotina cotidiana. Cada um é livre para curtir o som que gosta, o que mais diz respeito a sua personalidade, a sua identidade. Por não sermos todos iguais mas possuirmos o mesmo tamanho de cérebro, não podemos desdenhar de determinadas expressões artísticas. O que importa não é o grau de intelectualidade, e sim a pontinha de felicidade que a música leva a cada ser.

Não que agora eu vá passar a ouvir pagode – somos livres para ouvir, comer, falar aquilo que quisermos –, mas esse pensamento me faz ficar menos preconceituosa em relação às batidas do funk, por exemplo. O que realmente importa na vida é ser feliz. Se o grau de intelectualidade importa pra alguns, pode ser insignificante para outros. No final da vida, ninguém olha pros outros e mede o quão mais feliz foi, mas avalia sua própria vida, suas conquistas, seus momentos alegres. Cada qual se achará brilhante. Cada ser humano se basta com seus gostos, manias e vicissitudes.

Isso vale até mesmo para a sra. Cláudia Leitte. Claro que, como de todos os seres, seu discurso vem acompanhado de autopromoção. Se ela desdenha de quem ouve apenas um estilo de música, está também sendo preconceituosa e, portanto, é uma Zé Mané. Se ela acreditasse realmente na qualidade equivalente de todos os tipos de música, não precisaria ficar dando atestado de que curte outros estilos, que sabe de cor letras “cabeça”. Se não há diferença na música, também não há motivo a temer que sua imagem fique relacionada ao axé.

O dito popular afirma que “gosto não se discute”. Por outro lado, estamos sempre o ferindo. Quando há respeito, acho as discussões sobre preferências saudáveis, podendo render boas risadas. Afinal de contas, às vezes é bom dar uma de Zé Mané. O que importa é ser feliz.




Vitrola: Vassourinhas

5 comentários:

cláu disse...

clap clap clap!
adorei!!
realmente somos a prova viva disso! ;-)
bjooo

elisa disse...

sem mais palavras...
já disseste tudo e eu assino em baixo.
;***

leo_querol disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
leo_querol disse...

Agora me sinto mais a vontade para ouvir Mc Jean Paul.
=D

Gabi Paixao disse...

a claudia leite nao me acha um ze mane! ;DD
mas deixa ela pra lah com as sua bolas de sabao xP

saudadess

BjO;*