segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Novidade

Criei um novo blogue, tá lindão:

PetitesFolies


^^

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Les Printemps

Gélida, mas é ela. Nascente, radiante, colorida. Os braços vão se desnudando, as silhuetas afinando. Temperatura tépida. Vontade de florescer junto às pétalas, de dançar ao ritmo dos pássaros. De aproveitar, quando alteia, a lua cheia. Porém, ao carregar esse leque de inverno, dias sombrios, de chuva e frio, parece que leva todo amor que aqui jazia. Os olhos curiosos já não percebem a correspondência de outrora. A alegria e o cansaço vão-se embora. Queria todos aqui comigo. Proferindo as mais absurdas idiotices, rumando a programas de índio. Meus queridos amigos. Onde estão? A primavera é bela, a intenção é terna, mas não há viva alma sem um cais; já não sinto seus sinais. Não seriam as amizades eternas?



Vitrola: Esquadros
video

domingo, 11 de outubro de 2009

You are so cool

Melhor
se me disse palavras bonitinhas
se me cantasse umas modinhas
se se lembrasse dos meus olhos
se desejasse mais meus beijos
se me desse mais ensejo
se pudesse me dar carinho
se acolhesse meu achego
se compartilhássemos o mesmo espaço
além da mesma melodia
reproduzindo a lascívia sugestiva
melhor se encorajasse outros olhos
Melhor... por que seria?
melhor é perder tempo com quem gosta
do que a gente gosta.



Vitrola: Céu.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Ausência de post

Não tenho um novo post.
Mas o que tava no topo não condiz mais com meu estado de espírito. não exatamente.
Nem sei qual é ele no momento, na verdade.
Só sinto o mesmo e constante eterno acanhamento em altas taxas de sempre.
Espero atualizar logo.
Se alguém ler isso aqui, ouça Três na Massa!

domingo, 20 de setembro de 2009

Ensemble

Vem comigo!
Ou eu que vou contigo?
Atrai-me pro que eu quero ver.
Quero sentir o melhor ao lado.
Surpreende-me gostando de tudo o que eu gosto.
Ou lembrando coisas que eu nem sei que gosto.
Tudo que for milimetricamente desplanejado, despojado, despopularizado.
Tudo que seja despretensiosamente reflexivo e poético.
Tudo que reflita um tanto de mim.
Querer e ser querido, que lado pende? O ego, se encontrar.
É egoísta ou somos uma estrutura incompleta?
Existência capenga. Não!
Vem comigo que eu vou contigo.


Vitrola: Nei Lisboa.
(que tava lindão na redença ontem, pena que ficou frio e só me restou ir embora)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Toc-toc

- Posso entrar na sua vida?


















"Ah, se eu aguento ouvir outro não, quem sabe um talvez,
ou um sim, eu mereço enfim".
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"Caso acolha meu achego
Que antes diga derradeiro adeus
Sobre encosta no meu peito vago
A delicada embriaguez do corpo teu"

sábado, 5 de setembro de 2009

De repente 20

As transições são sempre difíceis, mas a da adolescência para a juventude responsável – leia-se fase adulta – é um grande desafio. Bem como na adolescência, as mudanças vão se jogando na nossa frente e a gente tem que seguir caminhando. Só que durante aquela fase, nós não temos muita consciência do mundo, até porque isso é dispensável. Nossos pais ainda pensam por nós, sabem o que é melhor, e nosso futuro próximo está decidido.

Tudo fica muito mais complexo quando passamos a controlar nossas vidas. É essa a transição. Não sabemos bem como planejá-la e enfrentar as novas situações; nossos pais já não são as pessoas que sabem tudo. Em muitos temas, temos mais conhecimento do que eles, e temos argumentos contundentes para discordar dos outros. A religião é profanada, a sordidez da realidade se impõe: a competição nos acompanha, as pessoas vem e vão e não há tempo para se fazer tudo o que planejamos.

Planejar é o temos que aprender a fazer. Desde o futuro até o próximo fim de semana. Saber conjugar as nossas vontades e horários com a vontade dos nossos amigos e seus horários. E isso tudo, sem possuir qualquer tipo de propriedade relevante: nossa renda ainda é o subsídio dos nossos pais. Portanto temos que planejar limitadamente.

E aos poucos, tomando decisões erradas, a gente vai descobrindo que o mundo é inerentemente hostil; que as hostilidades gratuitas are the new trend, não a política da boa vizinhança. Que quando achamos que sabemos desempenhar uma função brilhantemente, a gente vai ter que pedir ajuda. Que as amizades, infelizmente, não são eternas em intensidade. E que, se a gente ama, não necessariamente será correspondido. E que teremos que aprender a lidar com as injustiças.

Ah, a realidade! ela cai sobre nós intempestiva quando chegamos aos 20. Quem eu quero ser, onde quero estar, com quem. Onde estará a minha realização? Como chegar lá? E depende de nossas próprias escolhas e de nossa coragem. Só que não é fácil interpretar os acontecimentos, entender a racionalidade das escolhas alheias, para agirmos em contrapartida. Chegamos a pensar que nossas percepções são totalmente erradas, e aí caímos no zero de não compreendermos algo sequer e dá um desespero.

E temos que conviver com fatos para os quais não temos explicação e, portanto, não podemos traçar um plano de ação para enfrentá-los. E temos que viver, mesmo assim, fingindo que está ‘tudo bem’. É, não expressar as emoções para determinadas pessoas é um must do que aprendemos, mas que é difícil de assimilar.

Ah, sim, o jogo dos sentimentos – que pode ser dos casais ou mesmo dos amigos – é o mais difícil que existe. Porque a lógica é que, quanto menos tu demonstras que ama, mais a pessoa dar-te-á importância. É um jogo de gato e rato: quanto mais tu foges, mais pontos tu ganhas, porque a pessoa virá atrás de ti. Só que, se tu não dás um feedback, corre o risco de perder a pessoa. É aquele lance de as pessoas só darem valor com a ausência ou se se sentem rejeitadas anexado com o fato de que se tu não se impor, tu podes ser substituída.

E descobrimos que, assim como na economia, os fatores externos são obviamente exógenos e não podemos controlá-los. Assim, o cenário estará em constante mutação e teremos que nos adaptar imediatamente. Seguir uma rotina vitoriosa não trará necessariamente a vitória. Temos de ter jogo de cintura pra lidarmos com as injustiças, as misperceptions, as traições e a má sorte.

E a gente segue vivendo, sofrendo por não sabermos lidar com certas situações e pelas coisas que dão erradas, buscando maneiras para nos legitimar perante nossos mestres, amigos, inimigas, paixões e todo o mundo. Nessa busca desenfreada, descobrimos que estar feia ou bonita não importa, que ser simpática e boazinha não te farás reconhecida, que horas de dedicação pode ser desperdício e que ainda estamos muito longe de compreender algo. O que nos resta é continuar vivendo, reafirmando convicções, mudando de planos, trocando de roupa, buscando encontrar em lugares, músicas e gentes um pouco de nós – um pouco das mesmas dúvidas, que é o que nós somos nessa fase transitória louca.



Vitrola: Should I stay or should I go.

sábado, 15 de agosto de 2009

Little Joy

Como pode se apaixonar por uma música, aquelas notas que te envolvem. Como pode ser feliz por um momento. Efêmero como o vento. Passa rápido, intocável e sua melodia se desfaz.

Como se pode congelar aquele instante? Aquela expressão extasiante, tão perto e tão distante.

Alguns meses, meio ano, quando de novo? O tempo passa rápido e as coisas modificam. Situações díspares, novo estado das coisas. Cada tempo e a gente se renova e como que se transforma.


Um sofrimento se apaga e dá lugar a outro. O sentido daquele verso já reinventado. Uma hora é escape, na outra é vontade.


Mas ali o êxtase é o mesmo, o amor de admiração. Sorver cada nuance do sorriso, cada nota, cada grito, cada galhofa. Como pode alguém tocar tanto a nossa alma?

E que vontade de entrar pra dentro daquilo que nos emociona.

De que não fuja aquela alegoria de beleza desconcertante.
E que surja outra vez alegria delirante.
Como encantam a banda toda e o Amarante.



Vitrola: Liberdade; Evaporar.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Depois da Bonança

Quando criança
Mamãe sempre dizia
- Não fale com estranhos!
Que perigo tamanho
- Não aceites nada, doces ou balas
Com terror, assustava

Agora, moça crescida,
O alerta é outro
Não vás sair por aí, assim, se apaixonando
Que mágico encanto
Do sonho te mostra o contorno
E a seu redor orbitarás em torno

Elevarás os pés do chão
Nem sentirás desprender-te a alma
Sua mente perderá a razão
E os pensamentos aprisionados ficarão
Explosões de adrenalina retiram-lhe a calma
Impaciente, desprende inquietude em sua aura

Meu bem, sentes o mel, que azedo?
Em vão toda a beleza que exorta
A esperança aos poucos se entorta
Avulta a ilusão, toma sua forma
Perdida e enfeitiçada, tremes de medo
Que caminho funesto!

Não queira enfeitiçar-se por olhos belos
Fenecerá de espera sem sentido
Te apegarás e não encontrarás abrigo
Boba de sofrer por algo que não te toca
Por alguém que nem te dá tanta bola
Mereces mesmo o castigo




Vitrola: Transfiguração.

domingo, 19 de julho de 2009

Trade-off

Par de objetivos igualmente impossíveis de atingir simultaneamente:
1) combater a inflação e o desemprego;
2) combater a caspa e hidratar o cabelo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Vênus

O que faltaria àquelas suntuosas que de nascença são. Que com vigor amadurecem; da beleza a imensidão. É com tamanha destreza que encantarão o caminho por que passam. Em realidade, seria esse seu maior contentamento. Encher os olhos, até causar em mentes confusos tormentos. Deleite. Ornamentos serão poucos para saciar a vaidade desse ser de natural formosura. Atente para o descomunal andar nos pés de salto, esbanja desenvoltura. Sutilezas que não causarão sobressaltos, mas que enfeitiçarão desavisados. Buscam encher-lhes o peito de vontades, até chegar o momento da derradeira verdade: atrair o que lhes falta, aquela voluptuosidade.
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Vitrola: Bete Balanço.

domingo, 12 de julho de 2009

Do Astro Rei


Um pouco tarde pra falar da morte. Talvez não. Nunca será tarde para trazer à tona o eterno rei da música, o fenômeno da música pop.

Michael é uma incógnita para todos nós. É extremamente triste pensar que o maior astro da música pop, amado por milhões de pessoas ao redor do globo, era uma pessoa infeliz. O complexo com a aparência o transformou em uma pessoa completamente estranha à que fora durante sua infância. Colocando as imagens uma ao lado da outra, desinformados diriam que não se trata da mesma pessoa. Mas será mesmo que Michael se transformou em outra pessoa ao longo de sua bem-sucedida carreira musical?


Podemos notar que o sorriso, a alegria em cantar e dançar é da mesma sinceridade, tanto no Jackson criança quanto no adulto. Michael sempre pareceu à vontade e feliz diante das câmeras e dos espectadores. A forma como interpretava a música com seus passos de dança perceptivelmente apontam para a evolução que se seguiu da criança para o adulto.

Michael mudou a cor de sua pele, a fisionomia de seu rosto, mas é inegável sua alma de estrela proveniente do subúrbio. O ritmo e o swing característicos dos aglomerados de famílias negras dos guetos estadunidenses estiveram presente em toda a sua carreira, sendo o que fez com que o mundo caísse a seus pés; o que deu vida a um novo gênio musical, potencializando a música pop; e o que contribuiu para o crescimento da indústria de entretenimento, diminuindo as distâncias para a difusão da cultura por todo o globo.
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Quando relaciona-se a transformação física de Michael com a percepção de que segue-se a manutenção de uma divisão racista da sociedade: pobre, portanto negro; rico, portanto branco, Michael expõe a sua grandiosidade ao grava um videoclipe no Brasil acompanhado do Olodum: uma massa de instrumentistas negros que o circundam, como se fosse um Jackson 5 ampliado. Michael mostra em sua música a fragilidade de pessoas pobres, que vivem em condições parcas e, em vez de mostrar a imagem de sua vitória por sobre a situação daquelas pessoas, parecida com a de sua infância, o astro-rei se coloca no mesmo conjunto delas: they don’t care about US (eles não ligam pra gente). Mesmo branco e rico, Michael nunca negou suas origens, pois sabia que seu talento vinha de onde ele veio. Pensar na indiferença com que pobres e negros são tratados certamente não ela algo difícil para ele. Apontar para esse fato lamentável das sociedades é sinal da preocupação e da generosidade de Michael Jackson, que, tendo vencido, se importava com que as outras crianças também se salvassem da pobreza e da indiferença.

Por isso, além do seu talento inato que derrubou barreiras com seu carisma, Michael Jackson também é rei pela humanidade que trazia em sua alma. É realmente lamentável pensar que tamanha estrela tenha passado seus últimos anos no ostracismo, quando trouxe tantas alegrias ao mundo. Prefiro ficar com as imagens de seu sorriso no placo, tradutor de uma alma cativante, que o tornaram único e inesquecível.

Vitrola: They don't care about us.


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sept

Há sete ímpetos proibidos de se deixarem extravasar pela igreja. Os famosos sete pecados capitais. Inquietante é o fato de eles serem equivalentes em termos de pena. Sinceramente, não vejo como comer demais possa ser tão ruim quanto menosprezar a existência alheia, por exemplo. Além disso, a soberba é, de alguma forma, inerente de certos seres e a gula é compartilhada pela quase totalidade dos seres humanos. [ocidentalismo detected].

Por isso, questiono essa lei da igreja. Preguiça, gula e luxúria são supostas faltas que todos cometem e que não causa muitos danos à sociedade. Tudo bem que as leis da igreja foram formuladas há séculos e que a preguiça poderia atravancar o desenvolvimento cultural e intelectual da humanidade. Mas, atualmente, parece que a preguiça virou a exceção da vida das pessoas. Nesses termos, tendo em vista aproveitar um pouco a vida, sentir-se vivo, acho que um momento de preguiça é indispensável, afinal o ânimo e a boa vontade são por ela renovados, assim como a disposição para o trabalho.

Bem, a gula é algo impossível de combater por quem vive em ambientes gélidos, como eu. Além disso, como comemorar grandes conquistas sem um ótimo banquete? Pessoas felizes de seus feitos comem vigorosamente e convidam outras para compartilhar tal prazer; que mal há nisso? Cada um tem as informações necessárias para saber o que faz bem a sua saúde. E não venha com a história de que pessoas estão morrendo de fome. Certamente elas estão, e cada vez mais, infelizmente. Mas a comida que deixares de comer não entrará automaticamente na cesta de bens das famílias miseráveis, certo? Não faltam alimentos no mundo para que todos possam se entupir de comida, podemos fazer doações e ao mesmo tempo vivermos na fartura. A gula, portanto, não afeta ninguém.

Já a soberba é coisa de gente malvada, que por seus atos diminui a importância da vivência alheia. Seu prazer é menosprezar ou desprezar os outros, o que não incentiva o desenvolvimento coletivo da humanidade, pelo contrário. Sem mutualismo todos perdem um pouco e o arrogante ainda se torna infeliz, por afastar possíveis amigos. É um pecado desagregador, vil. Bleh.

Avareza é o que menos identifico em minhas observações, mas é igualmente egoísta, desagregador e desumano. O que sobra de nós cheios de bens materiais e sem calor humano? Reprovado.

A inveja é algo que todos nós sentimos pelo menos um pouquinho em determinado momento. Querer mal a outra pessoa por que esta possui aquilo que não temos é um erro. Não soluciona o problema do invejoso e cria outro – promover o mal a outrem. Não é uma boa linha de raciocínio a seguir.

Ira, colocaria no meio da balança. Claro que não é bom desejar o mal aos outros, como no caso da inveja. Ter vontade de xingar, violentar, enfim, perder a diplomacia, partir para a irracionalidade. Mas, ainda assim, é uma forma de expressar certa inquietação por uma pessoa e dar-lhe relevância. Pior que tudo mesmo é a indiferença. O ódio aparece quando o amor está mal resolvido, é coisa do coração e, portanto, nem tão mal assim, apenas passível de reparação.

Por fim, a luxúria é como os “pecados do bem”. Como a gula e a preguiça e, mesmo que a igreja negue, é um meio de a humanidade sentir prazer na vida e, ainda, perpetuar a espécie e criar o amor familiar. Talvez por isso que Deus [ou seja lá qual for a força cósmica que rege o universo] tenha criado tal atração sedutora.

Sendo assim, acho que nada é mais recomendável à vivência da humanidade que boas doses de preguiça, gula e luxúria [e atire agora quem sinceramente discorda!] De que mais precisamos para nos sentirmos felizes?


Vitrola: You know i'm no good.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

Da Visão do Dia

Aquele momento, o mais feliz do dia, por ser o mais belo. Enche os olhos, preenche a alma de contentamento. Que sonho o se entregar singelo ao horizonte que se impõe tão terno. Contorce-se o pescoço para que o efêmero não se esvaia. Que seja eterno. O sol bate na água, aquece a pele, encanta a alma, assaz veloz. Seria uma ilusão de ótica? É o sol, as árvores, o rio, as nuvens e o vento. A natureza aprontando, paisagem hipnótica. Leva o pensamento, desfigura o hostil, uma vida colorida por inventos. Um segundo de contemplação e já tenho suficientes gravuras e colagens; da felicidade, as imagens. O resto é vontade.
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Vitrola: Albert Hammond

terça-feira, 17 de março de 2009

Floriano Cambará

Dizem que o último post tá muito depressivo,
mas não tenho novos escritos pra atualizar,

tenho impressão de que eu deveria me preocupar com a minha preguiça.
(3 minutos depois)
na realidade, acho que o mais estratégico seria parar de me preocupar.
Não sei qual é o mais difícil...

Vai uma citação então - pra não ficar tão inútil - para o personagem masculino com quem mais me identifico, pelo seu encanto de ter a alma feminina.

(Procurando...)

Eis o Tio Bicho:
" - Presta bem atenção. Suponhamos que a vida é um touro que todos temos de enfrentar. Como procederias, por exemplo, o teu avô Licurgo Cambará, homem prático e despido de fantasia? Montaria a cavalo e, com auxílio de um peão, simplesmente trataria de laçar o animal. Agora, qual é a atitude de seu neto Floriano Cambará? Tu saltas para a frente do touro com uma capa vermelha e começas a provocá-lo. De vez em quando fincas no lombo do bicho umas farpas coloridas... Mas quando o touro investe, tu te atemorizas, foges, trepas na cerca e de lá continuas a manejar a capa, para dar aos outros e a ti mesmo a impressão de ainda estar na luta... É uma atitude esquizofrênica, com grande conteúdo de fantasia. Certo? Bom [...] o que dá a um romance a sua grandeza não é nem o seu conteúdo de verdade cotidiana nem o seu tempero de fantasia, mas o momento supremo em que o autor agarra o touro pelas aspas e derruba o bicho. Se queres um exemplo de romancista que primeiro faz verônicas audaciosas e depois agarra o animal a unha, eu te citarei Dostoiévski. E se me vieres com a alegação de que o homem era um psicopata, eu te darei então Tolstoi. E se ainda achares que o velho também não era lá muito bom da bola, te direi que um homem realmente são de espírito não tem necessidade de escrever romances [...] O que te falta como romancista, e também como homem, é agarrar o touro a unha..."
Floriano Cambará.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Misperceptions

"There's a club, if you'd like to go
You could meet somebody who really loves you
So you go, and you stand on your own
And you leave on your own
And you go home, and you cry
And you want to die"
(Smiths)

domingo, 1 de março de 2009

In love we trust

O mistério, a grande dúvida: Deus existe? Quem é Deus? Os céticos exigem provas concretas, os fervorosos o veem por toda a parte. Diversas religiões têm sua própria ideia da representatividade de Deus e ditam as maneiras de reverenciá-lo e alcançá-lo. Os racionais diriam que não há como comprovar a presença divina.

Analisando de perto o amor e o quão grandioso se faz esse sentimento que cai do céu: o feitiço que se lança sem explicação e leva as pessoas a olhar a sua volta, estima gratuita, união; concluí que Deus só podia ali estar. Afinal, espírito de comunhão, doação, compreensão, solidariedade, generosidade são aspectos que combinam tanto com o amor quanto com Deus. É tão mais fácil perdoarmos os erros, darmos uma nova chance, acreditarmos na capacidade de reparação de quem estimamos. Queremos-lhes bem.

Ninguém vive feliz sem amar e se sentir amado. Pode-se viver na miséria financeira, mesmo assim haverá sorrisos em faces cujos olhos possuem correspondência. De outro lado, olhos esperançosos traduzem uma alma fervorosa, que crê no amor, logo, em Deus. Não há qualquer fórmula da Física que tenha mensurado e descoberto quais as variáveis que moldam o amor. Ninguém explicou de onde surge a grandiosidade do amor materno, o maior do mundo, aquele que (quase) sempre estende a mão e procura compreender, ajudar um filho criminoso. E quem desvenda de onde brota uma paixão? De repente, queremos nos unir, viver juntos – porque assim cada um ajuda o outro a viver – e formar novos entes, herdeiros do bem-querer.

Ao longo dos tempos, seguimos multiplicando famílias, círculos de amizade, paixões, reproduzindo a espécie cujo cerne da existência é amar; é divino. Afinal, quem não deseja ser feliz?




Vritola: Horizonte Distante.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Just an image




Ideias, meio assim tão murchas nessa nova escrita,
Nem aparecem mais pra mim. hm.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Descarrilhamento

Mocinha,

A incerteza sempre dá ensejo pro fracasso, o que abre margem para a falta de fé, tendo em vista o evidente descaso. O rufar permanente dos tambores é o eco das tuas expectativas, latejam dúvidas e perspectivas: serias competente? O que passará em suas mentes? E a incompreensão mostra-te sua face, acompanhada do final derradeiro que alumia: és a última, ninguém acompanhaste! Lança-se o véu da solitude, desenha-se uma aura sombria. Caíste no esquecimento, que caminho funesto! Serás infeliz (- Não, não!). Fantasias não podem ser de todo ilusão? Pois as lembranças te trarão a melancolia. Fatos são deveras racionais. Desconheces tudo então! Impaciências e o silêncio agravam tua indecisão. Balança-te a insegurança e já não caminhas firmemente. Oh, não há motivos para tanto assombro. Fazem parte do jogo as assimetrias.

Um bom desencontro,
Medo.
Vitrola: O mundo é maior que o teu quarto.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Feliz Aniversário

A melhor festa e o melhor presente.
*Only Joy*
Parabéns, Blogue!
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Vitrola: "saiba, o caminho é o fim mais que chegar"

domingo, 25 de janeiro de 2009

Fones

O debate acerca da crise por que passa o mercado fonográfico divide opiniões. A vilã dessa história é a pirataria. O fato é que, já há alguns anos, o acesso à música se tornou muito mais fácil. Hoje em dia, podemos ouvir a música que quisermos a qualquer hora, graças à internet. Se, por um lado, CDs e DVDs são relegados a segundo plano nas prateleiras das lojas, por outro, nos desvencilhamos do mercado que aprisiona a música atrás de preços exorbitantes e, ainda, escolhe aquilo que o consumidor deve ouvir.

Já faz algum tempo que a música, entre outras formas de expressão artística, passou a fazer parte do grande mercado publicitário. Acenderam-se os holofotes, a fama conceituou o artista, e suas apresentações viraram grandes shows. Como todo mercado, o grande interesse que move quem nele trabalha, em grande parte das vezes, é o lucro. Isto acabou causando um efeito negativo: o grande interesse das gravadoras por formas de expressão que atinjam o maior número de pessoas privilegia o popular, o de fácil assimilação, o pop, e não necessariamente a qualidade do som, o conteúdo das letras, a estrutura das canções. Além de ficar refém desse tipo de apelo, o apreciador da arte vira forçosamente um consumidor. O acesso à música se dá mediante alto custos financeiros. Assim, quem não possui condições de arcar com o valor do CD, tem que se contentar com o rádio ou a televisão – outros veículos de comunicação ligados à publicidade. Nem todo o tipo de música tem a chance de ser contemplado em suas programações, ficando longe dos ouvidos da população.

Nesse ponto, é fenomenal o papel que a internet e toda a tecnologia que acompanha o mundo dos computadores têm desempenhado na difusão da música por toda a população. De uma forma comunitária, pessoas desconhecidas interagem de forma a disponibilizar áudio a quem tiver interesse. Desta forma, há acesso livre à música de qualquer parte do mundo, podemos ouvi-la a hora que quisermos inúmeras vezes. De outra feita, artistas iniciantes podem divulgar seus trabalhos sem depender do interesse do mercado e de suas exigências. A estética fica por conta do músico, que, assim, conquista um público fiel, cativado pelas particularidades da sua forma de expressão.

Da forma como o acesso à música está facilitado hoje, há maior liberdade tanto para o artista como para o público. É incrível apreciar as apresentações: todas as músicas são entoadas pelos espectadores. Estes são os verdadeiros apreciadores, conhecedores de um trabalho de criações completo, e não apenas de uma música tocada no rádio. É assim que se consegue captar a idéia, as informações que o artista procura passar. Desta forma, a liberdade de acesso acaba aproximando fãs e músicos.

Se essa tecnologia pode comprometer o mercado fonográfico, é difícil. Além disso, não me parece ser o cerne do trabalho de um artista lucrar, enriquecer. A arte nasceu para transmitir informações, incitar a reflexão, a análise da realidade, mexer com os sentidos, questionar os fatos e o entendimento da vida e das relações pessoais. É óbvio que a profissão exige recursos, mas me parece que o mercado fonográfico está longe de empobrecer. Ainda, com essa nova forma de acesso à música, novos consumidores vão surgindo: entrando em contato com obras que antes nunca teriam acesso, por estarem longe dos veículos de comunicação ou de suas capacidades financeiras, formam-se novos fãs, que logo visitarão as prateleiras das lojas.

A verdadeira universalização da música se dá com o estreitamento da relação entre o artista e o público. A liberdade de difusão das idéias e a liberdade de captação destas. O público deve ser livre para escolher suas preferências musicais e formar sua opinião cultural, bem como para compartilhá-las. O novo tempo indica maior interatividade e menor exclusão. Palmas para a tecnologia.




Vitrola: Music when the light goes out

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Do Presente

Sente ela que seus passos não são mais trôpegos. Batimentos sentem-se já não tão sôfregos. Quisera ela que não tornasse ao prelúdio desgostoso tamanho sentimento. Mas não havia outra via para esvair o latente descontentamento. Seu andar pomposo pintava o caminho de(s)colorido. Era até saltitante e coberto por seu sorriso. Perdeu a contradança, no entanto; foi deixada no canto. Arritmia; fora do compasso seu encanto. O ritmo fez desembocar no trajeto da agonia. Melhor era escapar da torrente confusão. O indeciso descaso fez com que apresentassem uma nova coreografia. Permanecem acanhados, embora não mais pretensiosos. Não se sabe, todavia, que ela segue ensaiando aqueles passos.



Vitrola: Unattainable; Don't what me dancing

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Do Passado

(parce qu'elle aime le passé; d'ailleurs, elle a aimé dans le passé.)

Bilhetinho
Só de te ver,
é um turbilhão de sensações que se espalha. Sorver cada nuance dos teus passos, dos teus gestos, do teu sorriso. Crias desejos como se circunscrito por uma aura encantada. És tão bonito; teus olhos, teus lábios, a nuca. Tragas meus sentidos e meus pensamentos embaralhas. Que vontade de te sentir pertinho de mim agora. Te quero muito.

Entremeio
Em um segundo, um ato, qualquer gracejo, é fagulha para desvendar o desejo contido. É quando o gelo toma conta e os movimentos são reprimidos. Força tenaz inexplicável. À espera de um cortejo ou de um olhar definido, a dúvida permeia e confunde os sentidos. O que nos falta, o que me sobra, o que não dá bola; o que fazer quando te desejo e só me sinto?

Enumeração caótica
Lamento as oportunidades perdidas, os sonhos criados, as volúpias descabidas, o pesadelo da desilusão, o encanto repentino, a dor da rejeição, o pensamento fixo, a infalível certeza, as tentativas frustradas; os sentimentos, os ressentimentos; o apego, o desapego; a incerteza que ainda permeia os pensamentos; a calmaria que retorna ao coração, que para de perturbar, mas se sente só, desprotegido. É tão tarde e havia nada colorido. Tudo não
passou de tempo perdido.

Vitrola: Três